Antigamente, o bairro era apenas uma mata fechada e pouco a pouco
foram abrindo caminho. O primeiro dono do Alto do Mateus foi Mateus Ribeiro, ele era dono
de todo o bairro, após algum tempo Mateus Ribeiro faleceu, mas ninguém sabe se
ele faleceu por doença ou se suicidou.
Logo depois veio o segundo dono, João Américo. João Américo
faleceu com quase 100 anos de idade. Antes da morte de João Américo, o bairro
já tinha passado para outro dono.
Nilton Novais, conhecido por seu Nilton, já era o terceiro e
último dono do bairro. Seu Tobias também trabalhou para ele. Ele tem dois
filhos: Niltinho e outro que não se sabe o nome exato dele.
Ao passar do tempo, já estava construindo um bairro, com várias
casas, pessoas novas chegando de todos os lugares de João Pessoa,
principalmente da Ilha do Bispo e de vários outros lugares.
Antigamente, não tinha energia elétrica e nem água nas casas,
utilizavam o mangue para pesca, a água limpa quem trazia era o carro-pipa.
Seu Tobias naquele tempo vendia os terrenos e quem dava as
escrituras eram os filhos de Seu Nilton. Algumas casas não tinham escrituras,
porque algumas foram invadidas.
Um dos mais antigos moradores do bairro, Sr. Tobias, acompanhou o
processo de divisão do antigo sítio do Sr. Mateus em lotes. Uma das primeiras
casas construídas foi a dela. Entrevistado, conta que com a morte do primeiro
dono do antigo sítio, o senhor Mateus Ribeiro, o seu filho, o senhor João
Américo herdou o terreno, e iniciou o parcelamento da área, sendo que numerosos
terrenos foram comprados pelo advogado senhor Newton Novais.
Um trecho dessa linha localizada nas proximidades do rio Sanhauá,
ao seu redor, se formou a comunidade Beira da Linha. Numa faixa de terra de
aproximadamente 80 metros que se estende ao longo do eixo da estrada de ferro
da REFESA entre a ponte “Joca Pinto” que liga o município de Bayeux e a ponte
“Aratú” que liga ao bairro a Ilha do Bispo. E tinha:
- Ao norte: pelo mangue que beira o rio Sanhauá;
- Ao sul: pela base da encosta do Alto do Mateus;
- Ao leste: pela ponte da REFESA que dá acesso à Ilha do Bispo;
- Ao oeste: pela ponte da REFESA que dá acesso ao município de
Bayeux.
A cota média de toda área é de cerca de 1 metro da maré máxima.
Porém, o terreno que fica entre o mangue e a linha do trem está abaixo deste
nível, tornando as casas ali construída sujeitas a eventuais alagamentos,
principalmente no mês de fevereiro, quando a maré é a maior do ano. Para a
construção daquelas casas foi necessário aterrar o mangue.
A faixa de terra que está entre a linha do trem e a base do morro
(Alto do Mateus) é da notável elevação topográfica, tendo sido necessário
planejar o terreno para a construção de moradias.
O bairro do Alto do Mateus, se constituiu, a partir da Beira da
Linha, através do deslocamento da população da Ilha do Bispo e Bayeux em
direção ao antigo sítio, localizado no alto do morro, cujo dono se chama senhor
Mateus, nome que terminou se identificando com o bairro, e a beira da linha
para a municipalidade se constituiu numa rua denominada de Luiz Jacinto. O
bairro cresceu às margens do rio Sanhauá, próximo ao centro da cidade e com o
decorrer dos anos, urbanizou-se precariamente. A sua economia baseava-se na
atividade pesqueira e de exploração do mangue, servindo de sustento as famílias
moradores de localidade.
Nos anos 60, o Alto do
Mateus era considerado um povoado pertencente a um outro bairro periférico de
João Pessoa, a Ilha do Bispo. No ano de 1969, o senhor Newton Novais conseguiu
que a SAELPA iniciasse as obras de eletrificação do lugar, implantando-se
postes de alta tensão, e foram construídas um posto médico e uma escola, era o
início para a integração do Alto do Mateus ao setor urbano de João Pessoa. O
bairro foi criado na década de 70, através de um processo de urbanização pouco
planejado. A falta de critérios técnicos na delimitação da área do bairro
desorganizou sua estrutura urbana com ruas e quarteirões dispersos
aleatoriamente.
Em 04 de junho de 1973, o Sr.
Newton Novais encaminhou as plantas do loteamento Alto do Mateus à Prefeitura.
A oficialização do referido loteamento foi registrado em Decreto Oficial nº
448, ocorrido em 14 de junho de 1973, conforme a publicação em Diário Oficial
do Estado da Paraíba.
O presente
texto é fruto de um trabalho de campo pelo bairro desenvolvido pelos alunos do
8º e 9º anos da Escola Municipal Dr. Severino Patrício, localizada no mesmo
bairro.
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